quarta-feira, 8 de maio de 2013

As palavras que não preciso de te dizer


"Ao fim de um tempo de vida em casal, são os tons e os gestos que definem a relação. Cartas de amor há muitas na net, mas tentem procurar olhares ternos.
Pode dizer-se mil vezes "eu amo-te" "eu adoro-te", mas "ninguem" acredita se for dito da mesma forma que"passa-me o pão". Apredemos desde muito cedo, na familia onde crescemos, o significado dos silêncios, das modulações de voz, dos gestos e das expressões faciais, mas demoramos anos a decifrar os mesmos sinais na pessoa com quem vivemos.Vivemos o culto da palavra, da comunicação por tudo e por nada , como se o dito resolvesse tudo. Desculpem meter-me na vossa vida, mas há uma estratégia  que tem dado bons resultados:em vez de continuarem a discutir, deem um abraço, mesmo que tenham a sensação de estar a abraçar um cato; com sorte, os picos vão saltando e aparece a seiva.
Cartas de amor há aos milhares na net, mas experimentem procurar olhares ternos e digam-me se encontraram algum."
Jose Gameiro
Há palavras que não preciso de te dizer

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Thank you for the flowers!

Obrigado pelas flores.
Obrigado por me teres dado a oportunidade de mudar a minha vida. Obrigado por me mostrares do que eu sou capaz, obrigado mesmo.
Uma das maravilhas de viver em sociedade é a troca de conhecimento e experiências, é por isso mesmo que é tão bom conhecer pessoas novas. Ouvir o que elas têm para nos contar, compreender a maneira como vêem o mundo… e lembrarmo-nos das sábias e lindas palavras de Fernando Pessoa quando escreveu “Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei. Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.”
Obrigado por tudo:)

segunda-feira, 18 de março de 2013

sábado, 16 de março de 2013

A Amizade


"...A figura da amizade como uma relação de simbiose de interesses ou de fusão das almas é denunciada como um perigo. Não se desconsidere a fala magnifica de Montaigne, que se explicava assim: "Na amizade de que falo, as almas mesclam-se e fundem-se uma na outra em união tão absoluta, que elas apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais encontrarem." Mas não se pode esquecer que historicamente não se salvaguardou a possibilidade de determinadas praticas da amizade redundarem em situações de intolerancia, pela anulação do espaço da singularidade e submissao do outro ao predomínio do mais forte. Quando a amizade se transforma numa maquina de fazer sujeitos identicos, tem-se de considerar a inevitabilidade da limitação da alteridade.
Na verdadeira amizade, estamos uns com os outros e somos uns para os outros, mantendo porém uma exterioridade: os amigos não se diluem, não se justapõem, nem se substituem. Só quando a reciprocidade se conjuga de forma consentida e livre, a amizade pode finalmente consolidar-se. Ela é uma forma de exposição ao outro, mas uma exposição que não quebra a reserva, que não invade a solidão. A amizade não só guarda silencio, mas ela é guardada pelo silêncio. Eu não espero nada de um amigo, ou melhor, espero tudo, na medida em que a sua existencia, pela sua radical diferença, me permita existir. Como disse Maurice Blanchot, a amizade é o acolhimento de um intervalo puro que, de mim a esse outro que é um amigo, mensura tudo o que há entre nós. A amizade é a separação fundamental a partir da qual o que separa torna relação.
A banalização da palavra amigo, produz uma incapacidade de compreender (e de viver) amizades verdadeiras."
José Tolentino Mendonça in Expresso